Perto dali, sobre uma pequena poça de água, voava uma Libélula, que se assustou com o estrondo provocado pela queda do pequeno pássaro e voou até ele, curiosa sobre o que havia acontecido.
- O que houve meu jovem? – perguntou ela.
- Não sei, não consigo me lembrar. – respondeu o passarinho esfregando a cabeça, ainda dolorida, com uma das asas.
A Libélula admirou, com seus enormes olhos, aquele jovem espécime, tão diferente de qualquer outro animal que já tivesse visto. Após voar em torno dele, analisando todas as suas características ela começou novamente a falar:
- Você tem asas, por que não tenta voar?
- Voar? – Questionou o pequeno beija-flor, olhando para as próprias asas. A idéia lhe parecia familiar, mas sua falta de memória não lhe permitia saber se era realmente capaz disso.
- Sim, voar! Bater as asas e sair por aí! – A Libélula agitou suas asinhas transparentes tão rápido que o beija-flor já não pode mais vê-las no ar – Tente fazer como eu.
O pequeno beija-flor começou então a bater suas asas com força e logo se elevou do solo, mas após um curto tempo sentiu-se cansado e desceu novamente.
- Não consigo! – reclamou ele, emburrado.
- Ah, deixa disso! – retrucou a Libélula – Só precisa de mais treino! Se você tem asas, com certeza pode voar! Aliás... – A curiosa Libélula novamente analisou detalhadamente o pequeno pássaro – Você não só tem asas como aparentemente pode voar parado no ar. Sabia que nem todos os insetos podem fazer isso? Já ouvi falarem sobre libélulas gigantes com cores tão vivas quanto as suas. Você deve ser uma delas.
“É isso que eu sou então, uma Libélula?” O pequeno beija-flor sentiu-se satisfeito por finalmente começar a compreender quem era e de onde viera, mas sua euforia foi rapidamente substituída pela sensação dolorosa que, devido às aulas de vôo, havia momentaneamente esquecido. A fome.
Antes mesmo que o jovem beija-flor falasse, a Libélula percebeu, pelo ronco do seu estomago, a necessidade do jovem beija-flor.
- Venha comigo até o lago. A superfície da água é melhor lugar para nós, libélulas, acharmos algo pra comer.
Assim, o pequeno pássaro seguiu a Libélula até o lago, esforçando-se para manter-se no ar, mas melhorando cada vez mais a qualidade do seu vôo. Porém, apesar de já estar voando muito melhor, quando chegaram ao lago o pequeno beija-flor viu sua companheira libélula pousar sobre a superfície da água e, acompanhando-a a certa distância, tentou fazer o mesmo, mas foi surpreendido quando a água cedeu sob seus pés.
- Socorro! – ele gritou, mas com isso acabou por engolir uma grande dose de água.
O beija-flor começou então a se debater, tentando não afundar mais e, com o impulso de suas asas, levantar-se acima da superfície da água. Ele ficou realmente desesperado, e sua amiga Libélula não tinha força suficiente para ajudá-lo.
- Vou buscar ajuda! – gritou a Libélula ao sair voando a toda velocidade para longe do lago. Porém, apesar de sua boa vontade em buscar ajuda, quando a solicita Libélula retornou o pequeno Beija-Flor já não estava mais ali.
Continua...
J.A.T. Junior
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