sábado, 30 de julho de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
O Inseto Beija-Flor -- Capítulo 4
O jovem Beija-Flor, assustado, voou o mais rápido que pôde para se afastar do tal homem. Batia suas asas a toda velocidade quando algo repentinamente lhe chamou a atenção.
A princípio ele não entendeu o porquê, mas a visão de uma grande e colorida flor fez com que o objetivo de se afastar da choupana se tornasse secundário. O estomago do pequeno roncou mais alto do que nunca e involuntariamente ele começou a voar na direção da bela flor.
Ao chegar à vistosa flor ele não teve dúvidas, cravou seu bico no centro dela sem pensar duas vezes. A flor lhe pareceu um tanto estranha, com suas rígidas pétalas, mas o líquido que fluía de seu miolo era tão saboroso que lhe permitiu ignorar qualquer detalhe atípico e continuar apenas sugando e sugando.
Justamente por não estar prestando atenção a mais nada é que o jovem não percebeu a miúda Abelha que, há alguns minutos, gritava impaciente ao seu lado.
- Ei você, preste atenção!
- Hã? – o Beija-Flor finalmente reparou na Abelhinha – Me desculpe, eu não vi você aí.
- Você sabe que essa flor é de plástico, não sabe? – interpelou a Abelha.
- De quê? – questionou o Beija-Flor, confuso.
- De plástico... É uma flor falsa!
- Mas é tão saborosa.
A Abelha olhou de esguia para a flor artificial e sorriu desdenhosamente.
- Você diz isso porque não experimentou o verdadeiro néctar. – ela então fechou os olhos e suspirou como se pudesse sentir o sabor – Ah a geléia real, só de pensar já me dá água na boca!
- Geléia real? Hum, parece gostosa mesmo. – disse o pequeno, imaginando que gosto essa tal geléia teria.
- Onde fica sua colméia? – a pequena abelhuda começou o interrogatório.
- Minha colméia? Como assim?
- Sua colméia, sua casa. Onde vive sua rainha? Onde você guarda seu mel? Aliás, onde estão suas listras?
- Rainha? Mel? Minhas listras? – o jovem Beija-Flor ficava mais confuso a cada pergunta.
- Sim, suas listras. Toda abelha tem listras!
O Beija-Flor apenas olhava intrigado pra sua nova amiga. Seria ele uma Abelha? Sua mente inocente se perdia em meio às dúvidas.
- Vem comigo que eu te mostro! – Convidou a Abelha, já partindo em vôo para uma direção qualquer.
Eles voaram juntos durante alguns minutos, e repentinamente avistaram algo que deixou o pequeno Beija-Flor boquiaberto, um lindo e colorido campo onde podia-se ver flores de tantas espécies que era impossível dizer quantas com precisão. Eram flores altas, baixas, finas, largas, algumas se pareciam com copos, outras com pratos, algumas tinham pétalas longas espalhafatosas, outras eram contidas e tímidas, e o jovem Beija-Flor sentia-se maravilhado.
Acima de algumas das flores voavam pequenos pontos listrados de amarelo e preto, que cumprimentavam amigavelmente a Abelha e o Beija-Flor enquanto eles passavam.
- Essas são as minhas irmãs de colméia. – explicou a Abelhinha – Somos todas operárias e trabalhamos pra Rainha. Vá você também buscar seu pólen!
Todas as abelhas pareciam felizes e o pequeno Beija-Flor pensou que esse deveria ser o melhor trabalho de todos. Ele voou por todas as flores que pôde, experimentando e se deliciando com o néctar das mais variadas espécies, até que o fim da tarde chegou e as abelhas se agruparam para voltar à colméia.
Próximo ao campo, sentado em uma cadeira de balaço no terraço de sua casa, estava o Fazendeiro, que, enquanto coçava uma avermelhada picada de pernilongo em sua mão, observava o jovem Beija-Flor acompanhar aquele enxame de abelhas.
Ao chegarem à colméia, todas as abelhinhas começaram a depositar seu néctar nos favos e se parabenizar pelo trabalho bem feito. Quando a fila chegou ao fim, lá estava a leal Abelha, que logo também depositou sua cota de néctar no favo, e o jovem Beija-Flor, que nada trazia consigo.
- Entregue o néctar da Rainha! – ordenou um rabugento Zangão, que tomava conta da entrada da colméia.
O pobre Beija-Flor só conseguiu olhar, confuso, para o Zangão, sem saber o que fazer.
- Acho melhor você entregar o néctar pra ele. – Cochichou a Abelha ao ouvido do Beija-Flor.
- Não posso... – Cochichou de volta o Beija-Flor – Eu bebi.
Nesse momento, um enorme alvoroço, seguindo de um altíssimo zumbido coletivo, iniciou-se na colméia. A Abelha olhou de volta para o amigo com uma expressão que transmitia pânico e pena e, sem nada mais que pudesse fazer, orientou-o:
- Então é melhor você se prepara para correr daqui!
- Como ousa roubar o néctar da Rainha?! – berrou o Zangão – Soldados, atrás dele!
Uma enorme nuvem de abelhas começou a se formar em torno da colméia e, antes que elas investissem em sua captura, o assustado Beija-Flor voou o mais rápido que pôde para se afastar delas.
O Fazendeiro, em sua cadeira de balanço, assistiu a tudo, muito interessado. Passou a mão sobre a dolorosa marca deixada pela bicada em sua barriga, mas ao ver o pobre pássaro fugindo a toda velocidade daquela populosa comunidade de abelhas, não sentiu raiva ou satisfação, mas sim entendeu a enorme confusão que se passava na cabeça do pequeno e passou a observar suas atitudes com maior atenção.
Continua...
J.A.T. Junior.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
O Inseto Beija-Flor -- Capítulo 3
Apesar de quase sem fôlego, o jovem beija-flor conseguiu se debater até chegar à margem do lago, onde finalmente conseguiu apoiar-se e levantar-se sobre a água.
Deitado sobre a terra úmida, ele mal podia respirar quando, de repente, um Pernilongo se aproximou.
- E ai irmão, tudo beleza contigo? Que parada foi essa na água? – o Pernilongo sorria, parecendo se divertir com a situação - Você é bem louco, cara!
O pequeno Beija-Flor, ainda ofegante e engasgado, mal podia falar, então só acompanhou o Pernilongo com os olhos, enquanto esse o sobrevoava parecendo muito interessado.
- Você tem um bico bem grande, velhinho. Tu deve ser um sugador e tanto!
- Um sugador? – estranhou o jovem pássaro, recuperando seu fôlego.
- Um sugador de sangue. Você sabe... Voar na calada da noite, se aproximar furtivamente e nhac – o Pernilongo fechou a boca repentinamente, como se abocanhasse algo no ar - Um verdadeiro vampiro, cara!
- Sangue? – o pequenino fez uma careta, demonstrando não gostar nada da idéia – Eca!
- Sangue, meu chapa, a melhor de todas as refeições! – O Pernilongo lambeu os beiços – Vem comigo que eu te mostro. Você é estranho pra caramba, mas com um bico comprido desse, só pode ser um pernilongo!
Os dois voaram juntos para longe do lago e entraram discretamente em uma antiga choupana próxima a floresta.
- Agora faça silêncio, temos que nos aproximar bem devagar. – cochichou o Pernilongo, bem próximo ao ouvido do Beija-Flor – Tá vendo aquele malucão ali? – ele apontou para um homem corpulento e barbudo, que dormia profundamente, balançando sobre uma rede – Ele vai ser nossa vítima!
Eles se aproximaram do tal homem e pousaram sobre sua barriga, fazendo-o se mexer e resmungar, ainda dormindo.
- Mais cinco minutinhos...
- Ei grandão, vai com calma! Se ele acordar nosso plano já era! – advertiu o malandro Pernilongo – Sabe qual a melhor parte disso tudo? – ele sorriu sarcasticamente, esfregando suas patinhas – Atrapalhar o sono deles!
O Pernilongo então começou a zumbir alto, voando bem próximo ao ouvido da vítima. O homem resmungou novamente, mas dessa vez algo incompreensível. Com uma das mãos tentou, inconscientemente, afastar a insolente ameaça.
- Hehe... Isso é tão divertido! – gargalhava o Pernilongo – Agora é a hora do Gran Finale! – Ele pousou sobre a mão do dorminhoco e enterrou seu bico em uma grande veia, sugando sonoramente o sangue que por ali passava.
O inocente Beija-Flor, vendo seu novo amigo se deliciar com sua estranha refeição, sentiu seu estomago doer de fome e decidiu tentar também. Ele aprumou-se, mirou seu alvo, ensaiou umas duas vezes o movimento que faria, ergueu se bico o máximo que pôde e, com um só golpe, fisgou-o na barriga avantajada do sujeito.
-Aaaaaaaahhhhhhh!!! – Gritou o homem, despertando repentinamente, agarrando furiosamente o pequeno Beija-Flor e lançando-o, pela janela, em direção a floresta.
- Sujou! – exclamou o matreiro Pernilongo, voando rapidamente pra bem longe da cena do crime – Melhor dar o fora daqui!
Continua...
J.A.T. Junior.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Depois que crescemos parece que sempre fomos adultos, mas...
Houve um tempo em que a maior das minhas preocupações era alimentar meu bichinho virtual.
Houve um tempo em que o único dinheiro que eu tinha de administrar era o do banco imobiliário.
Houve um tempo em que meu talão de cheques era o distribuído no parque da Mônica.
Houve um tempo em que eu era professor de um bando de bichos de pelúcia e, curiosamente, entre eles existiam bons e maus alunos.
Continua...
J.A.T. Junior.
Houve um tempo em que o único dinheiro que eu tinha de administrar era o do banco imobiliário.
Houve um tempo em que meu talão de cheques era o distribuído no parque da Mônica.
Houve um tempo em que eu era professor de um bando de bichos de pelúcia e, curiosamente, entre eles existiam bons e maus alunos.
Continua...
J.A.T. Junior.
domingo, 10 de julho de 2011
O Inseto Beija-Flor - Capítulo 2
Perto dali, sobre uma pequena poça de água, voava uma Libélula, que se assustou com o estrondo provocado pela queda do pequeno pássaro e voou até ele, curiosa sobre o que havia acontecido.
- O que houve meu jovem? – perguntou ela.
- Não sei, não consigo me lembrar. – respondeu o passarinho esfregando a cabeça, ainda dolorida, com uma das asas.
A Libélula admirou, com seus enormes olhos, aquele jovem espécime, tão diferente de qualquer outro animal que já tivesse visto. Após voar em torno dele, analisando todas as suas características ela começou novamente a falar:
- Você tem asas, por que não tenta voar?
- Voar? – Questionou o pequeno beija-flor, olhando para as próprias asas. A idéia lhe parecia familiar, mas sua falta de memória não lhe permitia saber se era realmente capaz disso.
- Sim, voar! Bater as asas e sair por aí! – A Libélula agitou suas asinhas transparentes tão rápido que o beija-flor já não pode mais vê-las no ar – Tente fazer como eu.
O pequeno beija-flor começou então a bater suas asas com força e logo se elevou do solo, mas após um curto tempo sentiu-se cansado e desceu novamente.
- Não consigo! – reclamou ele, emburrado.
- Ah, deixa disso! – retrucou a Libélula – Só precisa de mais treino! Se você tem asas, com certeza pode voar! Aliás... – A curiosa Libélula novamente analisou detalhadamente o pequeno pássaro – Você não só tem asas como aparentemente pode voar parado no ar. Sabia que nem todos os insetos podem fazer isso? Já ouvi falarem sobre libélulas gigantes com cores tão vivas quanto as suas. Você deve ser uma delas.
“É isso que eu sou então, uma Libélula?” O pequeno beija-flor sentiu-se satisfeito por finalmente começar a compreender quem era e de onde viera, mas sua euforia foi rapidamente substituída pela sensação dolorosa que, devido às aulas de vôo, havia momentaneamente esquecido. A fome.
Antes mesmo que o jovem beija-flor falasse, a Libélula percebeu, pelo ronco do seu estomago, a necessidade do jovem beija-flor.
- Venha comigo até o lago. A superfície da água é melhor lugar para nós, libélulas, acharmos algo pra comer.
Assim, o pequeno pássaro seguiu a Libélula até o lago, esforçando-se para manter-se no ar, mas melhorando cada vez mais a qualidade do seu vôo. Porém, apesar de já estar voando muito melhor, quando chegaram ao lago o pequeno beija-flor viu sua companheira libélula pousar sobre a superfície da água e, acompanhando-a a certa distância, tentou fazer o mesmo, mas foi surpreendido quando a água cedeu sob seus pés.
- Socorro! – ele gritou, mas com isso acabou por engolir uma grande dose de água.
O beija-flor começou então a se debater, tentando não afundar mais e, com o impulso de suas asas, levantar-se acima da superfície da água. Ele ficou realmente desesperado, e sua amiga Libélula não tinha força suficiente para ajudá-lo.
- Vou buscar ajuda! – gritou a Libélula ao sair voando a toda velocidade para longe do lago. Porém, apesar de sua boa vontade em buscar ajuda, quando a solicita Libélula retornou o pequeno Beija-Flor já não estava mais ali.
Continua...
J.A.T. Junior
quarta-feira, 6 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
O Inseto Beija-Flor
Há algum tempo eu tive uma idéia para uma simples fábula infantil, mas ao tentar expressá-la no papel me empolguei um pouco e o texto acabou ficando mais longo do que eu esperava. Como sei que as grandes postagens desanimam o apressado leitor, decidi então publicá-la dividida em cinco capítulos semanais.
Espero que todos gostem de lê-los assim como eu gostei de escrevê-los.
Continua...
J.A.T. Junior.
Espero que todos gostem de lê-los assim como eu gostei de escrevê-los.
O Inseto Beija-Flor - Capítulo 1
Era uma vez, um pequeno pássaro de bico bem longo e penas coloridas, que se esforçava, batendo suas asinhas o mais rápido que podia, tentando impressionar sua mãe que, orgulhosa, assistia suas primeiras tentativas de vôo. Tanto ele como sua mãe possuíam uma plumagem bastante colorida, que se estendia por seus corpos em um degrade vistoso e, em certas partes como seus peitos, até reluzente. Sua cauda era dividida em duas compridas pontas em forma de tesoura, e suas assas eram capazes de se mover tão rápido que dificilmente alguém poderia acompanhar seu movimento. Esses miúdos e lindos pássaros pertenciam a uma nobre espécie entre as aves, eram chamados de Beija-Flores.
- Mamãe, olha pra mim! – gritou o pequeno beija-flor ao conseguir erguer-se acima do ninho - Eu estou voando!
- Muito bem, filho! – parabenizou a mãe – Mas agora desça e fique quietinho para que a mamãe vá buscar comida, tudo bem?
A simples menção da mãe sobre comida já fez com que o pequeno beija-flor sentisse o estomago roncar.
- Oba, comida!
A mãe então levantou vôo e saiu em busca de alimento, deixando o pequeno admirado com a facilidade com que batia suas asas e erguia-se no ar. Sozinho no ninho, o obstinado beija-flor decidiu fazer uma surpresa para sua mãe quando ela voltasse.
- Minha mãe não vai nem acreditar... Quando ela voltar, eu já estarei voando!
Bateu suas asinhas com toda sua força e, de repente, estava voando. Sentia-se alegre por ter conseguido de primeira e resolveu ousar ainda mais, afastando-se da beirada do ninho, mas quando contemplou a altura em que estava apavorou-se e, em desespero, tentou voltar. Bateu suas asas ainda mais rápido, mas, devido à sua pouca experiência, ainda não era capaz de se elevar no ar. Aos poucos foi se cansando e se desesperando ainda mais ao ver que ao perder altitude ficava cada vez mais abaixo do ninho e mais distante de conseguir retornar a ele. O cansaço era tanto que o pequeno beija-flor já não era capaz de se agüentar no ar, aos poucos suas asas foram parando e parando até que, já sem velocidade suficiente para mantê-lo em vôo, pararam de vez e ele caiu em direção ao rígido solo de terra vermelha em torno da árvore onde vivia.
- Onde estou? Quem sou eu? – perguntou-se o pequeno beija-flor ao abrir os olhos, ainda com a visão um pouco turva, após a longa queda e a forte pancada na cabeça.
Continua...
J.A.T. Junior.
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