sábado, 24 de setembro de 2011

Meio Cheio ou Meio Vazio?

Quem nunca ouviu essa pergunta, pelo menos uma vez na vida?

E qual foi a sua resposta?

Acredito que até os mais pessimistas responderiam “Meio Cheio”. Isso porque ninguém gosta de ver a vida com olhos negativos, e a visão de um copo cheio pode, a princípio, realmente transmitir a idéia de plenitude e satisfação. Afinal, todos nós desejamos ser plenos e satisfeitos.

Mas será mesmo que estamos dando a resposta certa?

Bom, hoje estou aqui pra tentar convencê-los que o que ideal é um copo “Meio Vazio”.

...
Ah, cala a boca! Como um copo “Meio Vazio” pode ser melhor que um “Meio Cheio”?
...

Calma, eu vou explicar. E com isso, mesmo que inicialmente sem essa intenção, vou mostrar também que nós seres humanos, pra respondermos essa pergunta, nos apoiamos muito mais nos sentimentos do que na lógica. (Salve Sr. Spock, aquele Vulcano que nos ensinou a ver a vida de maneira, ás vezes, mais coerente)

A palavra “Cheio” nos remete ao verbo “Encher”, e se algo precisou ser enchido é porque estava vazio anteriormente. Já a palavra “Vazio” traz consigo o verbo “Esvaziar”, e só se esvazia o que antes estava cheio.

...
Pronto, você mal começou e já está se contradizendo!

Se algo foi esvaziado, algo foi perdido. Ninguém gosta de perder o que já conquistou!
...

Opa! Mas nós estamos falando de copos ou de quê?

Se tratando de copos, é lógico afirmar que se ele está “Meio Cheio” é por que só encheram até a metade, enquanto que se está “Meio Vazio” é por alguém o esvaziou. Ou seja, com um copo “Meio Cheio” você só beberá meia dose, já com um copo meio vazio, alguém que já começou a ficar mais alegrinho, ainda tem mais meia dose pela frente.

Bom, se você costuma beber com seus amiguinhos vai facilmente entender onde eu quero chegar. Com um copo meio vazio ninguém perdeu nada, só começou a aproveitar o que tem.

Concluíndo então a reflexão sobre copos, posso afirmar que entre um “Meio Cheio” e um “Meio Vazio” é mais vantajoso ter um “Meio Vazio”, mas vale lembrar que qualquer que seja o seu copo pela metade deve mesmo é ser esvaziado. Afinal, só quem tem prazer em enchê-lo é o dono do bar.



J.A.T. Junior.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Confie

Não me julgue um bêbado inveterado
Ou um puto desalmado
Sou boêmio declarado
Mesmo assim apaixonado


J.A.T. Junior

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Inseto Beija-Flor -- Capítulo Final

Assistido de longe pelo Fazendeiro o ofegante Beija-Flor conseguiu, após um vôo rasante sobre o mesmo lago onde mais cedo quase se afogara ao seguir sua amiga Libélula, despistar as furiosas abelhas, que se assustaram ao serem molhadas pela água levantada pelo bater de asas do pequeno pássaro. Ele concluiu então que beber de flores reais, apesar de muito mais saboroso, podia também ser muito mais perigoso. As flores de plástico lhe pareciam mais seguras e por isso ele voltou aliviado ao bom e velho bebedouro.
Bebendo prazerosamente daquele líquido adocicado o Beija-Flor fechou seus olhinhos e suspirou enquanto sugava. Sentia-se calmo e relaxado quando, ao abrir novamente os olhos, sentiu seu coração acelerar e de sobressalto afastou-se agilmente da colorida flor artificial. Bem diante de seus olhos alguém tentava, com todas as suas forças, desgrudar e levantar uma grande massa de uma espécie de melado, incrustado em torno da flor. Alguém que, assim como o jovem pássaro, assustou-se, gritou algum tipo de exclamação que só se usa em momentos de grande pavor e correu sobre a superfície do bebedouro para se esconder atrás do mesmo.
Ambos, movidos pela curiosidade, acabaram desconfiada vagarosamente voltando a se entreolhar. Pela primeira vez em sua vida o pequeno Beija-Flor vislumbrou uma Formiga.
- Quem é você? O que você estava fazendo? – Perguntou o pássaro.
- Estou tentando arranjar comida, seu grande desastrado! – Agitou-se a Formiga – Você quase me matou do coração, sabia?!
- Me desculpe, mas eu também estava me alimentando e não percebi a sua chegada.
- Você gosta de açúcar é? – Perguntou a pequena Formiga, interessada naquele desconhecido espécime.
- Açúcar? – Confundiu-se o Beija-Flor.
- É, água com açúcar. Isso que você estava bebendo. – a Formiga apontou para o recipiente onde o líquido adocicado estava armazenado – Até que bom, mas fica ainda melhor depois que seca. – ela então pegou um pouco do melado e provou – Hum, delicioso!
O pequeno Beija-Flor se prontificou a provar um pouco, mas não teve tempo. A Formiga logo começou a falar novamente e ele parou pra prestar atenção.
- Eu já tinha ouvido falar de grandes formigas com asas, mas nunca tinha conhecido nenhuma antes... – iniciou, ela, as suas conclusões – Mas se você gosta tanto de açúcar você só pode ser uma delas. É um prazer conhecê-lo!
O jovem pássaro se viu confuso mais uma vez. Até aquele momento ele já havia sido uma Libélula, um Pernilongo e uma Abelha... Por que não uma Formiga?
Ele então seguiu sua nova amiga até o lugar onde, segundo ela, era o paraíso dos doces. A cozinha da fazenda.
A atitude daquele filhote de Beija-Flor muito impressionava o Fazendeiro. Sorrateiramente ele acompanhou o pássaro até o seu destino e não conseguia compreender o que aquela ave planejava em sua cozinha até perceber que em sua companhia estava um minúsculo pontinho preto. A dolorida picada e o enxame de abelhas começaram então a fazer sentido, quando ele percebeu que o pássaro agora, assim como sua companheira Formiga, estava tentando roubar seus doces.
- Bolo de fubá, canjica, balas de coco, goiabada, doce de leite... – a Formiga delirava em meio a tantas opções – Esse só pode ser o melhor lugar do mundo!
O Beija-Flor sentiu-se tentado a experimentar todas aquelas guloseimas, mas foi interrompido pela amiga.
- Não devemos comer ainda. O inverno está chegando e temos irmãs que precisam de nós. – a leal Formiga parou por um momento, lembrando-se da família que a aguardava em sua colônia – Temos que levar isso tudo pro formigueiro e lá teremos uma grande festa de inverno.
O pequeno Beija-Flor começou a estranhar aquela conversa. Essa estória de levar a comida para a colônia já lhe era bem familiar e não lhe trazia boas lembranças. Apesar disso, ele resolveu ajudar sua nova amiga, afinal, as coisas poderiam ser bem diferentes agora que ele não havia comido tudo o que deveria levar.
Os dois seguiram então seu caminho rumo a formigueiro, ele equilibrando um grande e pesado pedaço de bolo de fubá sobre as costas e ela, quase sem demonstrar esforço, carregando uma jujuba inteira.
Discretamente o Fazendeiro os seguia, interessadíssimo.
Chegando ao formigueiro, eles escalaram aquele pequeno morro de forma vulcânica e a Formiga rolou sua jujuba pela pequena entrada circular em seu topo. Felizes, muitas outras formigas surgiram de dentro da colônia para ajudá-los a picar o grande pedaço de bolo e empurrá-lo também pra dentro.
Todos pareciam estar muito alegres com a aproximação do grande festival de inverno e, seguidos pelo novo integrante da família, se encaminharam cantantes em uma espécie de trenzinho através da pequenina entrada do formigueiro. Porém, após passar a última Formiga, o pequeno, mas não pequeno o bastante, Beija-Flor tentou também adentrar a caverna e acabou se entalando de ponta cabeça naquele apertado buraquinho circular.
As formiguinhas gritavam e tentavam puxá-lo pra baixo, mas, apesar de sua grande força, qualquer esforço parecia inútil. O ar começou a se esvair daquele minúsculo espaço enquanto jovem pássaro se debatia e se agitava desesperadamente, mas não conseguia se mover nem pra dentro nem pra fora do sufocante formigueiro.
Todos estavam desacreditados e sem forças quando de repente, como que por milagre, o bondoso Fazendeiro agarrou a pequena ave e puxou-a para fora do diminuto buraco.
Sorrindo e acariciando as coloridas penas do jovem e confuso Beija-Flor o Fazendeiro nada disse, mas levou-o até a árvore de onde mais cedo caíra e postou-o de volta ao ninho onde sua agitada mãe chorava a ausência do filho.
- Meu filho... – emocionou-se ela, ao vê-lo são e salvo. – Você está vivo!
- Mamãe! - o pequeno Beija-Flor, ao ouvir o cantar da mãe, sentiu suas memórias lentamente se avivarem em sua mente e, também emocionado, correu ao seu encontro, abraçando-a com toda sua força.
O pequeno Beija-Flor finalmente descobrira sua identidade e encontrara seu verdadeiro lar. Sua euforia era tamanha que mal podia esperar para contar a mãe toda sua jornada. Jornada qual ele contaria também para seus filhos e netos.*
- Mamãe, eu visitei lugares incríveis, conheci novos amigos...
A mãe se alegrava ao ver a felicidade com que o filho relatava seus feitos, mas interrompeu-o, sorrindo gentilmente:
- Eu quero saber de tudo, meu filho, mas depois de tantas aventuras você deve estar faminto, não?
O jovem Beija-Flor parou seu relato, surpreso por ter momentaneamente esquecido da fome que já o acompanhava há algum tempo. Sentiu então seu estômago roncar.
- Oba, comida! – Animou-se ele ainda mais. Porém, uma nova dúvida surgiu em sua mente – Mamãe, o que os beija-flores comem?
- Bom, meu filho, basicamente néctar e... Insetos.

FIM


*Final Alternativo Para Crianças:

- Mamãe, eu visitei vários lugares lindos, conheci novos amigos...
E assim as aventuras do jovem Inseto Beija-Flor foram contadas geração após geração através de uma linhagem longa e próspera. Todos juntos, os Beija-Flores viveram felizes para sempre.

FIM
 
 
J.A.T. Junior.

terça-feira, 26 de julho de 2011

O Inseto Beija-Flor -- Capítulo 4

O jovem Beija-Flor, assustado, voou o mais rápido que pôde para se afastar do tal homem. Batia suas asas a toda velocidade quando algo repentinamente lhe chamou a atenção.
A princípio ele não entendeu o porquê, mas a visão de uma grande e colorida flor fez com que o objetivo de se afastar da choupana se tornasse secundário. O estomago do pequeno roncou mais alto do que nunca e involuntariamente ele começou a voar na direção da bela flor.
Ao chegar à vistosa flor ele não teve dúvidas, cravou seu bico no centro dela sem pensar duas vezes. A flor lhe pareceu um tanto estranha, com suas rígidas pétalas, mas o líquido que fluía de seu miolo era tão saboroso que lhe permitiu ignorar qualquer detalhe atípico e continuar apenas sugando e sugando.
Justamente por não estar prestando atenção a mais nada é que o jovem não percebeu a miúda Abelha que, há alguns minutos, gritava impaciente ao seu lado.
- Ei você, preste atenção!
- Hã? – o Beija-Flor finalmente reparou na Abelhinha – Me desculpe, eu não vi você aí.
- Você sabe que essa flor é de plástico, não sabe? – interpelou a Abelha.
- De quê? – questionou o Beija-Flor, confuso.
- De plástico... É uma flor falsa!
- Mas é tão saborosa.
A Abelha olhou de esguia para a flor artificial e sorriu desdenhosamente.
- Você diz isso porque não experimentou o verdadeiro néctar. – ela então fechou os olhos e suspirou como se pudesse sentir o sabor – Ah a geléia real, só de pensar já me dá água na boca!
- Geléia real? Hum, parece gostosa mesmo. – disse o pequeno, imaginando que gosto essa tal geléia teria.
- Onde fica sua colméia? – a pequena abelhuda começou o interrogatório.
- Minha colméia? Como assim?
- Sua colméia, sua casa. Onde vive sua rainha? Onde você guarda seu mel? Aliás, onde estão suas listras?
- Rainha? Mel? Minhas listras? – o jovem Beija-Flor ficava mais confuso a cada pergunta.
- Sim, suas listras. Toda abelha tem listras!
O Beija-Flor apenas olhava intrigado pra sua nova amiga. Seria ele uma Abelha? Sua mente inocente se perdia em meio às dúvidas.
- Vem comigo que eu te mostro! – Convidou a Abelha, já partindo em vôo para uma direção qualquer.
Eles voaram juntos durante alguns minutos, e repentinamente avistaram algo que deixou o pequeno Beija-Flor boquiaberto, um lindo e colorido campo onde podia-se ver flores de tantas espécies que era impossível dizer quantas com precisão. Eram flores altas, baixas, finas, largas, algumas se pareciam com copos, outras com pratos, algumas tinham pétalas longas espalhafatosas, outras eram contidas e tímidas, e o jovem Beija-Flor sentia-se maravilhado.
Acima de algumas das flores voavam pequenos pontos listrados de amarelo e preto, que cumprimentavam amigavelmente a Abelha e o Beija-Flor enquanto eles passavam.
- Essas são as minhas irmãs de colméia. – explicou a Abelhinha – Somos todas operárias e trabalhamos pra Rainha. Vá você também buscar seu pólen!
Todas as abelhas pareciam felizes e o pequeno Beija-Flor pensou que esse deveria ser o melhor trabalho de todos. Ele voou por todas as flores que pôde, experimentando e se deliciando com o néctar das mais variadas espécies, até que o fim da tarde chegou e as abelhas se agruparam para voltar à colméia.
Próximo ao campo, sentado em uma cadeira de balaço no terraço de sua casa, estava o Fazendeiro, que, enquanto coçava uma avermelhada picada de pernilongo em sua mão, observava o jovem Beija-Flor acompanhar aquele enxame de abelhas.
Ao chegarem à colméia, todas as abelhinhas começaram a depositar seu néctar nos favos e se parabenizar pelo trabalho bem feito. Quando a fila chegou ao fim, lá estava a leal Abelha, que logo também depositou sua cota de néctar no favo, e o jovem Beija-Flor, que nada trazia consigo.
- Entregue o néctar da Rainha! – ordenou um rabugento Zangão, que tomava conta da entrada da colméia.
O pobre Beija-Flor só conseguiu olhar, confuso, para o Zangão, sem saber o que fazer.
- Acho melhor você entregar o néctar pra ele. – Cochichou a Abelha ao ouvido do Beija-Flor.
- Não posso... – Cochichou de volta o Beija-Flor – Eu bebi.
Nesse momento, um enorme alvoroço, seguindo de um altíssimo zumbido coletivo, iniciou-se na colméia. A Abelha olhou de volta para o amigo com uma expressão que transmitia pânico e pena e, sem nada mais que pudesse fazer, orientou-o:
- Então é melhor você se prepara para correr daqui!
- Como ousa roubar o néctar da Rainha?! – berrou o Zangão – Soldados, atrás dele!
Uma enorme nuvem de abelhas começou a se formar em torno da colméia e, antes que elas investissem em sua captura, o assustado Beija-Flor voou o mais rápido que pôde para se afastar delas.
O Fazendeiro, em sua cadeira de balanço, assistiu a tudo, muito interessado. Passou a mão sobre a dolorosa marca deixada pela bicada em sua barriga, mas ao ver o pobre pássaro fugindo a toda velocidade daquela populosa comunidade de abelhas, não sentiu raiva ou satisfação, mas sim entendeu a enorme confusão que se passava na cabeça do pequeno e passou a observar suas atitudes com maior atenção.

Continua...
 
 
J.A.T. Junior.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Inseto Beija-Flor -- Capítulo 3

Apesar de quase sem fôlego, o jovem beija-flor conseguiu se debater até chegar à margem do lago, onde finalmente conseguiu apoiar-se e levantar-se sobre a água.
Deitado sobre a terra úmida, ele mal podia respirar quando, de repente, um Pernilongo se aproximou.
- E ai irmão, tudo beleza contigo? Que parada foi essa na água? – o Pernilongo sorria, parecendo se divertir com a situação - Você é bem louco, cara!
O pequeno Beija-Flor, ainda ofegante e engasgado, mal podia falar, então só acompanhou o Pernilongo com os olhos, enquanto esse o sobrevoava parecendo muito interessado.
- Você tem um bico bem grande, velhinho. Tu deve ser um sugador e tanto!
- Um sugador? – estranhou o jovem pássaro, recuperando seu fôlego.
- Um sugador de sangue. Você sabe... Voar na calada da noite, se aproximar furtivamente e nhac – o Pernilongo fechou a boca repentinamente, como se abocanhasse algo no ar - Um verdadeiro vampiro, cara!
- Sangue? – o pequenino fez uma careta, demonstrando não gostar nada da idéia – Eca!
- Sangue, meu chapa, a melhor de todas as refeições! – O Pernilongo lambeu os beiços – Vem comigo que eu te mostro. Você é estranho pra caramba, mas com um bico comprido desse, só pode ser um pernilongo!
Os dois voaram juntos para longe do lago e entraram discretamente em uma antiga choupana próxima a floresta.
- Agora faça silêncio, temos que nos aproximar bem devagar. – cochichou o Pernilongo, bem próximo ao ouvido do Beija-Flor – Tá vendo aquele malucão ali? – ele apontou para um homem corpulento e barbudo, que dormia profundamente, balançando sobre uma rede – Ele vai ser nossa vítima!
Eles se aproximaram do tal homem e pousaram sobre sua barriga, fazendo-o se mexer e resmungar, ainda dormindo.
- Mais cinco minutinhos...
- Ei grandão, vai com calma! Se ele acordar nosso plano já era! – advertiu o malandro Pernilongo – Sabe qual a melhor parte disso tudo? – ele sorriu sarcasticamente, esfregando suas patinhas – Atrapalhar o sono deles!
O Pernilongo então começou a zumbir alto, voando bem próximo ao ouvido da vítima. O homem resmungou novamente, mas dessa vez algo incompreensível. Com uma das mãos tentou, inconscientemente, afastar a insolente ameaça.
- Hehe... Isso é tão divertido! – gargalhava o Pernilongo – Agora é a hora do Gran Finale! – Ele pousou sobre a mão do dorminhoco e enterrou seu bico em uma grande veia, sugando sonoramente o sangue que por ali passava.
O inocente Beija-Flor, vendo seu novo amigo se deliciar com sua estranha refeição, sentiu seu estomago doer de fome e decidiu tentar também. Ele aprumou-se, mirou seu alvo, ensaiou umas duas vezes o movimento que faria, ergueu se bico o máximo que pôde e, com um só golpe, fisgou-o na barriga avantajada do sujeito.
-Aaaaaaaahhhhhhh!!! – Gritou o homem, despertando repentinamente, agarrando furiosamente o pequeno Beija-Flor e lançando-o, pela janela, em direção a floresta.
- Sujou! – exclamou o matreiro Pernilongo, voando rapidamente pra bem longe da cena do crime – Melhor dar o fora daqui!

Continua...


J.A.T. Junior.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Depois que crescemos parece que sempre fomos adultos, mas...

Houve um tempo em que a maior das minhas preocupações era alimentar meu bichinho virtual.

Houve um tempo em que o único dinheiro que eu tinha de administrar era o do banco imobiliário.

Houve um tempo em que meu talão de cheques era o distribuído no parque da Mônica.

Houve um tempo em que eu era professor de um bando de bichos de pelúcia e, curiosamente, entre eles existiam bons e maus alunos.

Continua...

 
 
J.A.T. Junior.

domingo, 10 de julho de 2011

O Inseto Beija-Flor - Capítulo 2

Perto dali, sobre uma pequena poça de água, voava uma Libélula, que se assustou com o estrondo provocado pela queda do pequeno pássaro e voou até ele, curiosa sobre o que havia acontecido.
- O que houve meu jovem? – perguntou ela.
- Não sei, não consigo me lembrar. – respondeu o passarinho esfregando a cabeça, ainda dolorida, com uma das asas.
A Libélula admirou, com seus enormes olhos, aquele jovem espécime, tão diferente de qualquer outro animal que já tivesse visto. Após voar em torno dele, analisando todas as suas características ela começou novamente a falar:
- Você tem asas, por que não tenta voar?
- Voar? – Questionou o pequeno beija-flor, olhando para as próprias asas. A idéia lhe parecia familiar, mas sua falta de memória não lhe permitia saber se era realmente capaz disso.
- Sim, voar! Bater as asas e sair por aí! – A Libélula agitou suas asinhas transparentes tão rápido que o beija-flor já não pode mais vê-las no ar – Tente fazer como eu.
O pequeno beija-flor começou então a bater suas asas com força e logo se elevou do solo, mas após um curto tempo sentiu-se cansado e desceu novamente.
- Não consigo! – reclamou ele, emburrado.
- Ah, deixa disso! – retrucou a Libélula – Só precisa de mais treino! Se você tem asas, com certeza pode voar! Aliás... – A curiosa Libélula novamente analisou detalhadamente o pequeno pássaro – Você não só tem asas como aparentemente pode voar parado no ar. Sabia que nem todos os insetos podem fazer isso? Já ouvi falarem sobre libélulas gigantes com cores tão vivas quanto as suas. Você deve ser uma delas.
“É isso que eu sou então, uma Libélula?” O pequeno beija-flor sentiu-se satisfeito por finalmente começar a compreender quem era e de onde viera, mas sua euforia foi rapidamente substituída pela sensação dolorosa que, devido às aulas de vôo, havia momentaneamente esquecido. A fome.
Antes mesmo que o jovem beija-flor falasse, a Libélula percebeu, pelo ronco do seu estomago, a necessidade do jovem beija-flor.
- Venha comigo até o lago. A superfície da água é melhor lugar para nós, libélulas, acharmos algo pra comer.
Assim, o pequeno pássaro seguiu a Libélula até o lago, esforçando-se para manter-se no ar, mas melhorando cada vez mais a qualidade do seu vôo. Porém, apesar de já estar voando muito melhor, quando chegaram ao lago o pequeno beija-flor viu sua companheira libélula pousar sobre a superfície da água e, acompanhando-a a certa distância, tentou fazer o mesmo, mas foi surpreendido quando a água cedeu sob seus pés.
- Socorro! – ele gritou, mas com isso acabou por engolir uma grande dose de água.
O beija-flor começou então a se debater, tentando não afundar mais e, com o impulso de suas asas, levantar-se acima da superfície da água. Ele ficou realmente desesperado, e sua amiga Libélula não tinha força suficiente para ajudá-lo.
- Vou buscar ajuda! – gritou a Libélula ao sair voando a toda velocidade para longe do lago. Porém, apesar de sua boa vontade em buscar ajuda, quando a solicita Libélula retornou o pequeno Beija-Flor já não estava mais ali.

Continua...



J.A.T. Junior

quarta-feira, 6 de julho de 2011

sábado, 2 de julho de 2011

O Inseto Beija-Flor

Há algum tempo eu tive uma idéia para uma simples fábula infantil, mas ao tentar expressá-la no papel me empolguei um pouco e o texto acabou ficando mais longo do que eu esperava. Como sei que as grandes postagens desanimam o apressado leitor, decidi então publicá-la dividida em cinco capítulos semanais.
Espero que todos gostem de lê-los assim como eu gostei de escrevê-los.



O Inseto Beija-Flor - Capítulo 1

Era uma vez, um pequeno pássaro de bico bem longo e penas coloridas, que se esforçava, batendo suas asinhas o mais rápido que podia, tentando impressionar sua mãe que, orgulhosa, assistia suas primeiras tentativas de vôo. Tanto ele como sua mãe possuíam uma plumagem bastante colorida, que se estendia por seus corpos em um degrade vistoso e, em certas partes como seus peitos, até reluzente. Sua cauda era dividida em duas compridas pontas em forma de tesoura, e suas assas eram capazes de se mover tão rápido que dificilmente alguém poderia acompanhar seu movimento. Esses miúdos e lindos pássaros pertenciam a uma nobre espécie entre as aves, eram chamados de Beija-Flores.
- Mamãe, olha pra mim! – gritou o pequeno beija-flor ao conseguir erguer-se acima do ninho - Eu estou voando!
- Muito bem, filho! – parabenizou a mãe – Mas agora desça e fique quietinho para que a mamãe vá buscar comida, tudo bem?
A simples menção da mãe sobre comida já fez com que o pequeno beija-flor sentisse o estomago roncar.
- Oba, comida!
A mãe então levantou vôo e saiu em busca de alimento, deixando o pequeno admirado com a facilidade com que batia suas asas e erguia-se no ar. Sozinho no ninho, o obstinado beija-flor decidiu fazer uma surpresa para sua mãe quando ela voltasse.
- Minha mãe não vai nem acreditar... Quando ela voltar, eu já estarei voando!

Bateu suas asinhas com toda sua força e, de repente, estava voando. Sentia-se alegre por ter conseguido de primeira e resolveu ousar ainda mais, afastando-se da beirada do ninho, mas quando contemplou a altura em que estava apavorou-se e, em desespero, tentou voltar. Bateu suas asas ainda mais rápido, mas, devido à sua pouca experiência, ainda não era capaz de se elevar no ar. Aos poucos foi se cansando e se desesperando ainda mais ao ver que ao perder altitude ficava cada vez mais abaixo do ninho e mais distante de conseguir retornar a ele. O cansaço era tanto que o pequeno beija-flor já não era capaz de se agüentar no ar, aos poucos suas asas foram parando e parando até que, já sem velocidade suficiente para mantê-lo em vôo, pararam de vez e ele caiu em direção ao rígido solo de terra vermelha em torno da árvore onde vivia.
- Onde estou? Quem sou eu? – perguntou-se o pequeno beija-flor ao abrir os olhos, ainda com a visão um pouco turva, após a longa queda e a forte pancada na cabeça.

Continua...


J.A.T. Junior.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Reflexão Sobre o Intercâmbio


Uma imagem vale mais do que 1000 palavras.



Aprendi no Intercâmbio:


-O mundo é composto de algumas pessoas bonitas e muitas pessoas feias, não obstante ao lugar onde você esteja.

-Não importa se você dormiu no aeroporto, se você tiver que perder o vôo você vai perdê-lo. 

-Na minha porta dos desesperados só teria gorila. 

-Algumas pessoas têm o código do dinheiro infinito. Elas digitam "klapaucius" em algum lugar e o dinheiro vem do Brasil instantaneamente. 

-Minha vida parece uma montanha russa no escuro.

-O trampo no exterior te dá apenas uma ajuda de custo, suas despesas são pagas mesmo com a grana q vc leva do Brasil.

-O Jogo da Vida eu jogo no Very Hard.

-Todo dia quando chego em casa tem um "WHAT THE FUCK!?!" novo me esperando.

-Na próxima encarnação eu quero ser Playboy.

-O preço da burrice é €3,00.

-O preço de um "Vai Tomar no Cu" é €250,00.

-A vida que você tem é o melhor que você pode ter.   

-Nessa vida, só nos cabe tentar. Acertar ou Errar está fora do nosso controle.


J.A.T. Junior.

sábado, 7 de maio de 2011

Reflexão Sobre “A Bela e A Fera”

Muitas vezes vemos na mídia mulheres jovens e bonitas se casando com grandes empresários velhos, gordos e carecas, e isso nos causa certa indignação.

Alguns diriam que ela é uma aproveitadora, que só está atrás de dinheiro, que o amor de uma mulher dessas não tem valor, mas refletindo sobre o assunto decidi vir aqui hoje defender essas pobres mulheres e tentar provar que a culpa não é delas.

Mas de quem seria a culpa então?

Afirmo então que a culpa é de alguém que ninguém imaginaria, um verdadeiro gênio, que em sua tamanha contribuição, trazendo magia a nossas vidas, de forma alguma pode ser acusado ou recriminado. A culpa é de ninguém menos que Walt Disney.

...
O que? Como assim? Isso não pode ser possível! O Walt é um ícone de pureza e inocência! (Sei que muitos de vocês querem parar de ler este texto por aqui, mas posso garantir que tentarei, nas próximas linhas, explicar sucintamente minhas previas afirmações)
...

Sim, Walt Disney, um ser humano inigualável, que muito admiro, mas que trouxe a nós essa personagem interessantíssima, que acabou por influenciar muitas das mulheres de nossa sociedade. A Bela.

Garota de origem humilde, moradora de uma pequena vila no interior da França. Uma mulher determinada e ambiciosa, que de forma alguma se contentaria com aquela vida simplória que tinha. (E isso não sou eu que estou dizendo, todos podemos comprovar ouvindo a canção Bonjour, cantada por ela mesma durante o começo do filme quando ela diz exatamente “Tudo é igual, nesta minha aldeia, sempre está, nesta mesma paz... Eu quero mais que a vida no interior!”)

Deixando de lado os menores detalhes e cantorias do filme, a pobre Bela acaba aprisionada pela monstruosa e indesejável Fera, um príncipe ricasso e metido a besta que foi enfeitiçado e preso àquela terrível forma.

Apesar da inicial arrogância da Fera, a riqueza e a boa educação que, por ser um membro da realeza, lhe foi facilmente proporcionada na juventude tornou-lhe um sujeito bem articulado, bastando umas poucas dicas do canastrão Lumiere para que logo o feioso cativasse a jovem garota.

Cantando belas canções, oferecendo-a glamorosos jantares, conduzindo-a perfeitamente durante a valsa e presenteando-a com simplesmente aquilo que ela mais gostava no mundo, livros (Aliás, uma biblioteca cheia deles), a Fera acabou com as chances do seu pobre e bruto concorrente, Gaston, que em sua total ignorância não tinha nada a oferecer além de seus músculos.

De forma alguma estou dizendo que a Bela estava atrás da grana da Fera, muito pelo contrário, estou apontando motivos pelos quais uma garota que cresceu assistindo esse clássico da Disney agiria da mesma maneira.

Não é só pelo dinheiro, mas sim por todo o mundo de novas possibilidades oferecido por este homem que, devido a sua boa educação e cavalheirismo, no fim das contas ainda lhe proporciona carinho, segurança, conforto e tudo o mais que as mulheres tanto desejam. Sendo assim, não é impossível de se acreditar que uma mulher possa de fato vir a se apaixonar por este homem, afinal A Bela e A Fera é uma estória de amor.

Enfim, posso concluir que não importa quão Fera você é, se você é gentil e tem um belo castelo, haverá sempre uma Bela atrás de você.         


J.A.T. Junior.